quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

América Latina Surreal (Artigo)

(2a edição)

O trio formado por Hugo Chaves, Evo Morales e Rafael Corrêa parece saído de um quadro de Salvador Dali. O quarto mosqueteiro, Raul Castro, completa o cenário surrealista da política latino americana. Os discursos e, o que é pior, as atitudes desses equivocados trapalhões parecem pertencer ao período em que o muro de Berlim ainda estava intacto.

Quando, em 1989, iniciou-se o processo de abertura política e a derrubada dos regimes totalitários de esquerda do leste europeu, muitos chegaram a pensar que a humanidade estaria livre do flagelo do comunismo. Contudo, foram-se os regimes, mas permaneceram no homem os sentimentos de inveja, prepotência e intolerância que os geraram.

Passadas duas décadas da aparentemente definitiva derrocada desse equívoco histórico, parece que os partidários desses sentimentos estão tentando voltar à ativa. Assim sendo, sinto-me compelido a expressar alguns pontos de vista sobre os regimes comunistas e socialistas, de modo a modestamente auxiliar na prevenção de um eventual “canto do cisne” dessa aberração política e econômica na América Latina.

Não que eu acredite que sejam comunistas legítimos, ou que pretendam implantar uma ditadura do proletariado em seus países. Contudo, uma vez que seus discursos são de esquerda radical, receio que os esquerdistas revolucionários que sobraram por aí passem a apoiá-los e que isso nos leve ao recrudescimento de uma ideologia que já deveria estar sepultada há 20 anos.

Primeiramente, penso ser totalmente inviável a imposição, pelo estado, de qualquer regime político-econômico. Se tomarmos como exemplo o capitalismo, veremos que ele não foi idealizado e/ou imposto por um pensador ou por um grupo político. Seu surgimento e sua disseminação foram resultados de um processo natural de evolução do regime anterior, o mercantilismo, no sentido de atender a novas demandas da sociedade.

Já o comunismo e sua forma abrandada, o socialismo, foram fruto de elocubrações mentais de um senhor chamado Karl Marx e da ambição política de um grupo, liderado por um cidadão de nome Vladimir Lênin. Enquanto tal, não poderia funcionar, e desde o início esteve fadado ao fracasso, pois uma ou algumas mentes, por mais privilegiadas que sejam, jamais serão capazes de conceber de maneira completa e infalível um sistema político-econômico a ser imposto à humanidade.

Com esse argumento, não estou desmerecendo o trabalho dos teóricos, mas sim ressalvando que suas contribuições, embora muito importantes para a evolução da sociedade, devem ser vistas como contribuições marginais destinadas à efetivação de ajustes no sistema em vigor, e jamais como receitas para uma ruptura completa. Para citar um exemplo importante da falibilidade das teorias, analisemos o principal enunciado de Marx, de que “só o trabalho cria valor”, e vejamos se ele se sustenta quando posto a prova.

Suponhamos que há 100 operários em uma fábrica de cadeiras. Esses 100 homens são capazes de fabricar 1000 cadeiras por dia em um sistema de produção instalado nessa fábrica há décadas. Num determinado momento, um desses operários solicita uma reunião com o dono da empresa e sugere uma modificação na linha de produção para aumentar a produção para 1500 unidades/dia. Contudo, essa alteração demandaria um investimento significativo de capital e o fechamento temporário da fábrica por 6 meses... Ademais, para passar as informações técnicas, o operário demanda um percentual de 10% nos lucros extra da fábrica.

Após essa reunião, caberá ao empresário decidir pela implementação, ou não, da proposta efetuada pelo operário... Caso ele decida seguir adiante com o projeto, caberá a ele arcar com possíveis conseqüências negativas, inclusive de falência. Contudo, se a empreitada tiver sucesso, seus 100 operários terão um incremento em sua produtividade diária de 50%.

Ora, vejam que uma simples decisão de uma pessoa pode resultar num incremento extremamente significativo da produção absoluta de uma quantidade finita de homens/hora, e que esse incremento jamais seria viável simplesmente pelo aumento do empenho desses operários. Em outras palavras, a decisão de alocação de recursos também cria valor, e não apenas o trabalho, conforme afirma Marx, e o lucro seria então a remuneração do capitalista por essa criação de valor, e não uma expropriação do trabalhador pelo capitalista, como afirmam os marxistas.

Se aceitarmos os argumentos acima, teremos que encarar o fato de que milhões de pessoas foram executadas para a manutenção de um regime baseado em uma premissa que se mostrou falsa.

Na verdade, o que ocorreu na Rússia, berço da revolução comunista, foi um processo conservador, e não de vanguarda. Enquanto o mundo mudava de fato e o avanço do capitalismo criava o bem-estar econômico em muitos países, a Rússia mantinha em vigor o sistema político-econômico então vigente em seus domínios, apenas substituindo a família real pelo politburo, e perpetuando a servidão como relação de trabalho. Como qualquer processo conservador, estava destinado a se tornar anacrônico e ineficiente.

Todavia, se fizermos um exercício de projeção do horizonte histórico, acho sensato prever que sistemas com traços tanto do socialismo quanto do comunismo acabarão vindo a existir no futuro, mas de maneira orgânica e democrática, e não através de rupturas políticas.

Em outras palavras, e para esclarecer o que para muitos liberais pareceria a princípio uma heresia, penso que o capitalismo evoluirá, primeiro, para uma sociedade mais assistencialista, via redistribuição de riquezas no sentido de garantir necessidades básicas dos seres humanos como alimentação, moradia, vestimentas, saúde e educação. Num segundo momento, (note que a visualização dessa hipótese exige uma capacidade de abstração bastante elevada) penso que, em função do estado de abundância material que atingiremos, a sociedade se tornará menos focada na produção. Nesse momento, em que todos estarão materialmente satisfeitos, a propriedade perderá significativamente sua importância.

Até lá, entretanto, pediria aos 3 patetas + 1 que parassem de sonhar e voltassem à realidade.

Um comentário:

  1. Além de vingança, acho que eles querem mesmo é o poder e o dinheiro para assim aplacarem a raiva que tem da própria ignorância, machucando a todos...

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