quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Sobre as conclusões... (Pensamentos)

(1a edição)

Muitas vezes me flagrei tentando entender o motivo pelo qual 2 pessoas igualmente inteligentes, cultas, bem-intencionadas e almejando o mesmo objetivo (premissas de igualdade 1 a 4) teriam divergências sobre determinado assunto. Partindo do princípio de que ambas teriam acesso às mesmas informações, seria de se supor que chegassem às mesmas conclusões, ou às mesmas "verdades pragmáticas" (ver postagem "Sobre a verdade..." de 29 de dezembro). Penso que as principais razões para a existência de divergências são as seguintes.

Em primeiro lugar, as premissas de igualdade 1 e 2 acima são utópicas, pois nunca haverá 2 pessoas com exatamente os mesmos mecanismos de raciocínio e a mesma cultura. Contudo, mesmo supondo que essas 2 premissas de igualdade fossem suficientemente verdadeiras a ponto de sustentar a questão proposta, penso que a principal determinante das divergências reside na inviabilidade das premissas 3 e 4, o que levaria a uma predominância da emoção sobre a razão.

Com relação a essas premissas (igualdade de intenções e objetivos), não sei inclusive se seria possível mensurar essa suposta igualdade com precisão, posto que as instâncias inconscientes que regem tanto intenções quanto objetivos são, muitas vezes, predominantes em relação às conscientes, o que os torna incognoscíveis até mesmo para seus próprios sujeitos.

Em outras palavras, estou levantando a hipótese de que, primeiro, nossa emoções e vontades inconscientes nos levariam a nossas conclusões e, apenas depois, usaríamos a lógica para elaborar a defesa de nossas teses. Assim sendo, ocorreria que, na maioria das vezes, faríamos certas concessões a nós mesmos para provar nossos pontos, ou melhor, "roubaríamos no jogo", mesmo que inconscientemente, através da inserção de pequenos sofismas em nossas construções lógicas.

Minha conclusão, portanto, é de que não há, em verdade, nesses casos, discordâncias lógicas, mas sim uma predominância da ignorância e, principalmente, das vontades inconscientes, sobre a lógica, seja de uma ou, geralmente, de ambas as partes.

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